Veto à dosimetria de penas se torna centro de negociação política no Congresso Nacional, envolvendo o destino da CPMI do Banco Master e gerando divisão na oposição.
O veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao projeto que altera a dosimetria das penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro emergiu como peça central em uma intrincada negociação política. No centro da articulação está o destino da CPMI do Banco Master, com lideranças do Centrão buscando a derrubada do veto presidencial em março. Em contrapartida, a oposição pode ter sua pressão pela instalação da comissão investigativa sobre o banco esfriada.
A avaliação nos corredores do Congresso é que a CPMI do Banco Master pode gerar um desgaste sistêmico, atingindo parlamentares de diversos partidos em um ano eleitoral. O movimento envolve diretamente o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), ambos resistentes à instalação da comissão. Alcolumbre sinalizou a líderes partidários a possibilidade de convocar uma sessão do Congresso no início de março para analisar o veto ao PL da Dosimetria, cuja derrubada exige 257 votos de deputados e 41 de senadores, um patamar considerado alcançável pela oposição.
Integrantes do Centrão admitem que a pauta da dosimetria pode avançar, desde que a oposição reduza a pressão pela leitura do requerimento da CPMI do Master. Há uma avaliação de que a comissão ampliaria a exposição política em um momento sensível. A resistência de Alcolumbre também ocorre após a Polícia Federal deflagrar uma operação contra a Amapá Previdência (Amprev) por investimentos no Banco Master, que podem gerar prejuízo aos servidores. Um dos alvos foi Jocildo Silva Lemos, aliado do senador. Alcolumbre declarou confiar nas instituições e negou responsabilidade pela indicação de Lemos.
Oposição dividida diante da proposta de acordo
As articulações para conter a CPMI do Banco Master devem se intensificar, com a expectativa de que líderes partidários retornem a Brasília após o feriado de carnaval. Parlamentares da oposição ouvidos pela reportagem indicam uma divisão sobre a conveniência de ceder na pressão pela CPMI em troca da derrubada do veto. O deputado Zé Trovão (PL-SC) defendeu publicamente um recuo tático, argumentando que é mais importante



