STJ recusa pedido dos EUA para intimar Alexandre de Moraes em ação contra censura no Rumble

Superior Tribunal de Justiça nega pedido dos EUA para intimar Alexandre de Moraes em ação movida pela Rumble.

STJ nega intimação de Alexandre de Moraes em ação nos EUA movida pelo Rumble

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu nesta terça-feira (4) negar um pedido do governo dos Estados Unidos para que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, fosse intimado para se defender em uma ação judicial no país norte-americano. O processo foi iniciado pela plataforma de mídia Rumble e pela Trump Media, e a decisão do STJ impacta diretamente as disputas sobre a remoção de conteúdos no Brasil.

A ação nos Estados Unidos alega que Moraes cometeu censura ao ordenar a exclusão de conteúdos publicados na Rumble. A plataforma busca, com a medida, que todas as determinações do ministro brasileiro sejam desconsideradas em território americano. A negativa do STJ em prosseguir com a intimação é um desdobramento importante no embate jurídico internacional envolvendo o magistrado brasileiro e plataformas digitais.

A carta rogatória, instrumento pelo qual o governo americano buscou a intimação, tramita no STJ desde agosto de 2025. Diferentemente da carta precatória, que ocorre entre tribunais do mesmo país, a carta rogatória depende de acordos de cooperação entre nações e está sujeita a negativas. A Procuradoria-Geral da República (PGR) já havia se posicionado contra o pedido, argumentando que magistrados não podem ser punidos por atos praticados no exercício da função, conforme revelou o jornal O Estado de S. Paulo.

Ação nos EUA e sanção pela Lei Magnitsky

As decisões de Alexandre de Moraes relacionadas ao Rumble já haviam gerado repercussão anteriormente, culminando em uma sanção contra o ministro pela Lei Magnitsky, nos Estados Unidos. Essa sanção, contudo, foi revertida meses depois após negociações diplomáticas. O argumento central na ação americana é que o ministro teria ultrapassado sua jurisdição, afetando cidadãos americanos com as ordens de bloqueio de conteúdo.

Tramitação e desdobramentos da decisão do STJ

Durante a sessão no STJ, os ministros anunciaram a decisão de negar o pedido e também rejeitaram um pedido de sustentação oral da Advocacia-Geral da União (AGU), explicando que não há previsão legal para que defesas se manifestem em cartas rogatórias. O pedido de leitura da ementa da ação, feito pela ministra Isabel Gallotti, foi negado pelo presidente dos trabalhos, ministro Luiz Felipe Salomão. Com a negativa do STJ, o processo nos Estados Unidos caminha para o arquivamento, embora o governo americano ainda possa recorrer da decisão.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima