Senador Alessandro Vieira promete recorrer de decisão de Gilmar Mendes que anulou quebra de sigilo de empresa ligada aos irmãos de Dias Toffoli

Supremo Tribunal Federal suspende investigação da CPI do Crime Organizado, e decisão de Gilmar Mendes provoca reação no Congresso.

Decisão do STF suspende investigação em CPI e gera forte reação no Congresso Nacional

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, anunciou que irá recorrer de uma decisão liminar do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A liminar declarou nula a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da Maridt Participações, empresa que tem em seu quadro societário os irmãos do ministro Dias Toffoli, José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli. A CPI buscava investigar se a empresa foi utilizada para lavagem de dinheiro, em conexão com o dono do banco Master, Daniel Vorcaro.

Em nota oficial, Vieira expressou profunda “preocupação” com a decisão de Mendes e afirmou que recorrerá “em todas as instâncias possíveis”. Segundo o senador, a quebra de sigilo foi aprovada por unanimidade pela CPI, com base em elementos que indicavam um possível vínculo da Maridt com os casos Master e Reag. Havia também “notícias consistentes sobre movimentações financeiras suspeitas”, incluindo “indícios de lavagem de recursos associados ao Primeiro Comando da Capital (PCC)”.

O relator da CPI também mencionou uma decisão anterior do ministro André Mendonça, que desobrigou os irmãos Toffoli de deporem na comissão. Vieira classificou essa decisão como alinhada à jurisprudência do STF, que garante ao investigado o direito de não produzir provas contra si mesmo.

Tática Processual e Críticas à Decisão Judicial

A Maridt buscou a decisão de Gilmar Mendes por meio de uma tática que, segundo o senador Vieira, foi um “flagrante absurdo”. A empresa direcionou seu pedido diretamente a Gilmar Mendes, sem passar pelo sorteio de relatoria. O pedido foi feito em um processo arquivado em 2023, relacionado à CPI da Pandemia. Esse processo foi desarquivado, a petição foi recebida, a quebra de sigilo determinada pela CPI foi declarada nula, e o processo foi novamente arquivado.

“Dessa emaranhado de decisões judiciais consideradas atípicas e de movimentações financeiras milionárias e suspeitas, impõe-se uma conclusão: este escândalo é grande demais para ser empurrado para debaixo do tapete”, concluiu Alessandro Vieira em sua nota. A reportagem buscou contato com a Maridt e com a defesa de Daniel Vorcaro, mas não obteve resposta até o momento. O espaço permanece aberto para manifestação.

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