Reino Unido: Pares alertam que indústrias criativas não devem ser sacrificadas por ganhos especulativos em IA

Reino Unido enfrenta pressão para proteger direitos autorais de artistas e criadores diante do uso de obras por inteligência artificial, com foco em licenciamento e remuneração justa.

Reino Unido sob pressão para proteger direitos autorais de criadores diante do avanço da Inteligência Artificial

Uma comissão da Câmara dos Lordes do Reino Unido emitiu um alerta contundente: as valiosas indústrias criativas do país não devem ser comprometidas em nome de lucros especulativos com a inteligência artificial. O governo britânico se prepara para divulgar o impacto econômico de propostas que visam alterar as leis de direitos autorais, em um momento de crescente preocupação com o uso de obras protegidas para o desenvolvimento de IAs.

A principal recomendação do relatório elaborado pelos pares é que os ministros estabeleçam um regime de licenciamento para o uso de obras criativas em produtos de IA. A proposta de permitir que empresas de tecnologia utilizem o trabalho de romancistas, artistas, escritores e jornalistas sem a devida permissão está sendo fortemente criticada.

Barbara Keeley, membro da Câmara dos Lordes e presidente da comissão, declarou que as indústrias criativas britânicas enfrentam um “perigo claro e presente” com empresas de IA se apropriando de seus trabalhos sem crédito ou pagamento. Ela ressaltou que, enquanto a IA pode impulsionar o crescimento econômico futuro, o setor criativo já gera empregos e valor econômico significativo, contribuindo com £146 bilhões anualmente para a economia do Reino Unido.

Setor Criativo em Risco: O Dilema da Propriedade Intelectual na Era da IA

A consulta do governo sobre um novo quadro de propriedade intelectual para IA gerou indignação entre artistas britânicos. A proposta central, que permitiria o uso de material protegido por direitos autorais para treinar IAs sem a necessidade de consentimento explícito do autor – a menos que este opte por sair do processo –, foi classificada como um “desastre” por figuras proeminentes, incluindo Elton John.

O relatório da Câmara dos Lordes, intitulado “IA, direitos autorais e as indústrias criativas”, também sugere que o governo descarte formalmente a ideia de permitir o uso irrestrito de material protegido. Entre outras recomendações, estão o apoio ao desenvolvimento de um mercado de licenciamento que garanta a remuneração dos artistas, o fomento a modelos de IA desenvolvidos no Reino Unido, a exigência de transparência sobre os dados utilizados pelas empresas de IA e o fortalecimento dos direitos dos criadores contra a criação de deepfakes.

Governo Contempla Exceções, Mas Enfrenta Resistência

O governo britânico tem explorado diversas opções, incluindo manter o status quo, exigir licenças para o uso de obras protegidas ou permitir o uso sem necessidade de opt-out para empresas criativas. Uma das sugestões que mais geram apreensão é a possibilidade de uma isenção de direitos autorais para fins de “pesquisa comercial”, o que, segundo profissionais criativos, poderia ser explorado por empresas de IA para utilizar trabalhos de artistas sem permissão.

Em resposta às preocupações, um porta-voz do governo afirmou que a intenção é manter um regime de direitos autorais que valorize e proteja a criatividade humana, gere confiança e fomente a inovação. A pasta de Cultura, Mídia e Esporte indicou que ainda é “prematuro” descartar qualquer exceção antes da publicação de um relatório de atualização. A Câmara dos Lordes aguarda a divulgação de uma avaliação de impacto econômico e um resumo da consulta sobre as reformas legais até 18 de março.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima