O Dilema do Drone Barato: Por Que os EUA Usam Cópia Iraniana de US$ 50 Mil Contra o Próprio Criador no Golfo?

Drones de baixo custo, como o Shahed 136, mudam a lógica da guerra moderna ao sobrecarregar defesas caras e redefinir estratégias militares.

O paradoxo de uma arma primitiva na era da alta tecnologia militar

Em meio a tensões crescentes no Golfo, uma arma de custo surpreendentemente baixo está no centro de confrontos: drones de ataque com valor de fabricação estimado em apenas US$ 50.000. O que leva o arsenal americano, repleto de mísseis hipersônicos e caças stealth, a empregar um drone lento e aparentemente rudimentar, copiado de um design iraniano, em 2026? A resposta reside na recalibragem da economia bélica e na capacidade de sobrecarregar defesas inimigas.

O drone em questão é o Shahed 136, originalmente concebido pela iraniana Shahed Aviation Industries. Com cerca de 2,6 metros de comprimento e capacidade para carregar até 15 kg, ele alcança aproximadamente 2.500 km a uma velocidade modesta de 185 km/h. Sua principal vantagem é o custo-benefício, tornando-o ideal para uso em massa. A Rússia tem utilizado centenas desses drones em ataques diários na Ucrânia, exigindo complexos sistemas de defesa aérea para interceptá-los. Forças Houthi no Iêmen também empregam essas aeronaves.

Em retaliação a ataques iranianos, os Estados Unidos responderam utilizando pela primeira vez em combate o Low-cost Uncrewed Combat Attack System (LUCAS), uma cópia de engenharia reversa do Shahed 136. Produzido pela Spektreworks, o LUCAS, apelidado de FLM 136, é modular e pode ser adaptado para missões de reconhecimento, comunicação ou ataque com ogivas. A tecnologia foi obtida após a captura de unidades em posse de milícias apoiadas pelo Irã no Iraque e na Síria.

A lógica econômica por trás da obsolescência estratégica

Especialistas comparam esses drones de baixo custo aos “doodlebugs” (V-1) da Segunda Guerra Mundial. A capacidade de produção em larga escala e o baixo custo permitem que sejam empregados em enxames, sobrecarregando e esgotando defesas aéreas sofisticadas e caras. “Você está derrubando-os do céu com munições que são muito mais caras não apenas que o Shahed, mas às vezes mais caras que o próprio alvo que o Shahed está atingindo,” explica Anthony King, da Universidade de Exeter.

A própria origem do Shahed 136 pode ter raízes em um projeto germano-americano da Guerra Fria, o Dornier Die Drohne Antiradar, projetado para sobrecarregar defesas soviéticas. Essa linhagem sugere uma evolução de conceitos de guerra assimétrica. Ian Muirhead, da Universidade de Manchester, aponta que, embora drones como o Shahed não substituam aeronaves tripuladas ou mísseis avançados, eles ganham espaço no combate moderno, com forças ocidentais aprendendo com conflitos recentes.

“Se você pode enviar mil deles, pode sobrecarregar as defesas com munições baratas,” afirma Muirhead. “É pura economia: se sua defesa custa dez vezes mais do que o atacante, você nunca conseguirá superar o outro lado.” A adoção de drones de baixo custo pelos EUA reflete uma adaptação pragmática à nova dinâmica de conflitos, onde o custo-benefício e a saturação de defesas se tornam fatores decisivos.

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