Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, aponta possível interferência estrangeira em visita de assessor de governo dos EUA a Bolsonaro.
O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, expressou preocupação ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a visita de Darren Beattie, assessor do governo dos Estados Unidos, ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Em manifestação enviada ao ministro do STF, Vieira classificou a ação como uma potencial “indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”, especialmente por ocorrer em um ano eleitoral.
A manifestação surge em resposta a um pedido da defesa de Bolsonaro, que solicitou ao ministro Alexandre de Moraes esclarecimentos sobre a agenda diplomática de Beattie no Brasil. O Itamaraty confirmou que, embora a visita tenha sido comunicada, não havia agenda oficial prevista com o governo brasileiro, levantando dúvidas sobre os reais propósitos do encontro.
Beattie tem chegada prevista para a próxima segunda-feira (16) e permanecerá no país até quarta-feira (18). A justificativa oficial para a concessão de seu visto foi a participação no Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos. No entanto, o Ministério das Relações Exteriores ressalta que não houve menção a interesse em realizar encontros ou visitas não relacionados aos objetivos comunicados oficialmente, como a visita ao 19º Batalhão de Polícia Militar do Distrito Federal.
A embaixada dos Estados Unidos em Brasília chegou a solicitar uma reunião entre Beattie e o chefe da Coordenação-Geral de Ilícitos Transnacionais (Cocit), Marcelo Della Nina, mas a agenda não foi confirmada. A situação levanta questões sobre a transparência e a natureza das interações diplomáticas em períodos sensíveis para a política interna brasileira.



