Haddad lança desafio a ex-ministros da Fazenda para debater resultados econômicos e compara gestões sob Lula e Bolsonaro.
Em um movimento político que sinaliza sua iminente saída do Ministério da Fazenda para disputar eleições, Fernando Haddad desafiou publicamente ex-ministros da área econômica a um debate sobre os “legados” fiscais. A provocação, direcionada especialmente a Paulo Guedes, que comandou a economia durante o governo de Jair Bolsonaro, visa confrontar os resultados das respectivas gestões.
Haddad expressou sua disposição em discutir abertamente as contas públicas e os indicadores fiscais, afirmando que os números atuais demonstram uma melhora significativa desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração foi feita em um vídeo publicado nas redes sociais, com a legenda “lançado o desafio”.
“Eu estou disponível para conversar com qualquer pessoa que sentou na minha cadeira sobre as contas públicas e de qualquer período. Eu gosto de um debate. Faz tempo que eu não debato”, declarou o ministro, em tom de campanha eleitoral.
Haddad aponta melhora fiscal e critica projeção de Guedes
O ministro da Fazenda comparou dados fiscais do governo atual com o cenário projetado ao final da gestão Bolsonaro, frequentemente criticado por ele e pelo presidente Lula. Haddad destacou que o déficit projetado para 2023, segundo informações do governo anterior, superava 1,6% do PIB. Em contrapartida, apresentou o déficit consolidado do ano atual, considerando as exceções às regras do arcabouço fiscal, em 0,48% do PIB.
Apesar de temas como déficit primário e dívida pública não serem de interesse generalizado do eleitor comum, esses indicadores frequentemente ganham destaque em campanhas políticas. A comparação entre as performances econômicas de Haddad e Guedes tende a se tornar um ponto central no debate eleitoral.
Saída da Fazenda e possível candidatura em São Paulo
Haddad deve deixar o cargo nas próximas semanas para se candidatar a um cargo eletivo em São Paulo, conforme ele mesmo confirmou. Embora a posição exata não tenha sido revelada, lideranças do PT defendem que ele concorra ao governo do estado, visando fortalecer o palanque de Lula, mesmo diante da consolidada liderança de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) para a reeleição.
“Eu vou participar das eleições. […] [O cargo] eu vou anunciar depois da minha saída do ministério, a que eu vou ser candidato”, afirmou Haddad.
Paulo Guedes evita confrontos públicos, mas é citado em campanha
Paulo Guedes, alvo indireto das críticas de Haddad, tem evitado confrontos públicos com o governo Lula desde o fim da gestão Bolsonaro. Contudo, o economista tem sido mencionado como um dos principais conselheiros do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência, a quem Guedes declarou “apoio total” recentemente.



