Gilsons lançam segundo álbum em meio a luto e resiliência, aprimorando som com lirismo e leveza
O trio Gilsons, formado por Francisco, João e José Gil, lança seu segundo álbum de estúdio, “Eu vejo luz em maior proporção do que eu vejo a escuridão”. O trabalho marca um passo adiante na carreira do grupo, sem perder a essência, e reflete um período de maturidade e superação, influenciado pelas vivências familiares.
A sonoridade do álbum demonstra uma clara evolução em relação ao trabalho anterior, “Pra gente acordar” (2022). A influência de Gilberto Gil, avô e patriarca da família, é perceptível em arranjos que mesclam a tradição da MPB com toques contemporâneos, dialogando com o público jovem sem abrir mão das raízes.
Conforme informações divulgadas pelo jornalista especializado em música, o disco é uma resposta artística a um tempo de luto e resiliência para a família Gil, especialmente após a perda de Preta Gil. O repertório, embora afetado pela dor, transborda lirismo e uma profundidade lírica que contrasta com a superficialidade de parte do pop mainstream.
Evolução sonora e influências familiares
“A gente quis dar um passo à frente sem perder a nossa gênese”, contextualiza José Gil, produtor musical do álbum. A fala se reflete na audição, onde a evolução do trio, formado em 2018 no Rio de Janeiro, é nítida. A influência de Gilberto Gil é sentida desde a faixa de abertura, “Visão”, com seu violão que remete ao ijexá e a letra que intitula o disco.
As referências à MPB de Gilberto Gil se harmonizam com a conexão do Gilsons com o público jovem. Faixas como “Semeia” e “Zumbido” ganham destaque com arranjos de sopros orquestrados por Diogo Gomes e Thiago Queiroz, respectivamente, evidenciando a maturidade musical do grupo.
Lirismo e leveza em face da adversidade
O álbum “Eu vejo luz em maior proporção do que eu vejo a escuridão” reflete o impacto do luto familiar, especialmente após a morte de Preta Gil. No entanto, a sonoridade mantém um equilíbrio entre o lirismo e a leveza. “Bem me quer”, uma das faixas adiantadas, celebra o passado do grupo com uma mistura de tambores e beats, enquanto “Minha flor” explora um tom lírico e quase oracional, com letra de Arnaldo Antunes.
A colaboração com outros artistas, como Caetano, Moreno e Tom Veloso em “Minha flor”, reforça a união das famílias Gil e Veloso. A leveza juvenil de “Beijo na boca”, com produção de Iuri Rio Branco, e a participação de Julia Mestre em “Nó na cuca” também contribuem para a diversidade sonora do disco.
Aceitação e resiliência como manifesto
A faixa final, “Se a vida pede”, com participação da cantora inglesa Sona Jobarteh, encerra o álbum como um manifesto de aceitação e resiliência. Os versos “Se a vida pede, eu vou tocando / Se o mundo gira, eu vou dançando / Na corda do tempo, deslizo sem pressa” encapsulam o espírito do disco.
O trio Gilsons, em meio a desafios pessoais, apresenta um trabalho coeso e poético, refinando seu som e demonstrando um progresso notável. “Eu vejo luz em maior proporção do que eu vejo a escuridão” é a bela resposta artística a um período de adversidades, consolidando os Gilsons como uma força relevante na música brasileira.



