Ministro Guilherme Boulos critica o que chama de “terrorismo econômico” por parte de empresas em relação a propostas de direitos trabalhistas no Brasil.
O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, classificou as críticas ao projeto que visa acabar com a escala 6×1 e reduzir a jornada de trabalho como “terrorismo econômico”. A declaração foi feita durante um evento do Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília, em um debate sobre a chamada “pejotização” e a regulamentação do mercado de aplicativos.
Boulos comparou a resistência das empresas à adoção de novas regras trabalhistas às “ameaças” que, segundo ele, são feitas há 100 anos contra a conquista de direitos. O ministro argumentou que o aumento de preços alegado pelas empresas, como no caso de aplicativos de transporte, não é repassado aos trabalhadores e que a garantia de direitos não deve ser vista como um fator inflacionário.
“Dizer ‘ah, vai aumentar o preço da comida, vai aumentar o preço do Uber’, olha que coisa. Teve um aumento de 50% do Uber no último ano, foi um dos que mais puxou a inflação! Isso não foi incorporado pelo trabalhador! Aí vão dizer que é a garantia para o trabalhador que vai gerar aumento? Não cola. Este é o mesmo terrorismo econômico que está operando também contra o fim da escala 6×1”, declarou Boulos, reforçando sua posição em redes sociais.
Propostas em tramitação no Congresso Nacional
A redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais e o fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso) são pautas importantes para o governo Lula, especialmente em ano eleitoral. A proposta que busca extinguir a escala 6×1 foi apresentada pelas deputadas Erika Hilton (PSOL-SP) e Reginaldo Lopes (PT-MG).
O texto, que já tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), propõe que a jornada de trabalho não ultrapasse 8 horas diárias e 40 horas semanais, garantindo dois dias de folga. Para ser aprovada, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) precisa passar pela CCJ, por uma comissão especial na Câmara dos Deputados e, posteriormente, pelo Senado Federal, incluindo análise em suas respectivas CCJs e votações em plenário.
Críticas e a defesa dos interesses empresariais
Boulos criticou a postura de empresas, que ele descreveu como “arrogantes” e “intransigentes” na defesa de seus interesses. Ele mencionou especificamente as críticas feitas pelo presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, que alertou sobre os custos adicionais para empregadores caso a jornada seja reduzida, custos que, segundo ele, seriam repassados aos consumidores.
O ministro contrapôs essa visão, lembrando que o próprio setor de aplicativos já promoveu aumentos significativos sem que isso se revertesse em benefícios diretos para os trabalhadores. A discussão sobre a escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho se insere em um debate mais amplo sobre a regulamentação das relações de trabalho na sociedade contemporânea, especialmente com o avanço de novas modalidades de emprego.



