Ayatollah Ali Khamenei, Líder Supremo do Irã por 36 Anos, Morre Aos 86 Anos Após Ataques nos EUA e Israel

A morte de Ali Khamenei encerra 36 anos de poder no Irã, marcados por confronto com Estados Unidos e Israel.

A morte do Líder Supremo do Irã, Ayatollah Ali Khamenei, encerra 36 anos de governo com mão de ferro, marcados pela oposição aos EUA e Israel e expansão militar regional.

O Ayatollah Ali Khamenei, que governou o Irã com uma política de forte oposição aos Estados Unidos e Israel, morreu aos 86 anos. Sua morte, anunciada pela mídia estatal iraniana, ocorreu após ataques aéreos atribuídos a Israel e aos EUA que atingiram seu complexo em Teerã. O evento encerra um período de 36 anos em que Khamenei consolidou o Irã como uma força anti-americana no Oriente Médio, expandindo sua influência militar na região, ao mesmo tempo em que reprimia duramente os distúrbios internos.

Inicialmente visto como uma escolha improvável para suceder o carismático Ayatollah Ruhollah Khomeini, Khamenei ascendeu ao poder e exerceu um controle rigoroso sobre os assuntos do país. Sua liderança foi marcada pela recusa em ceder às pressões ocidentais, especialmente em relação ao programa nuclear iraniano, e pela manutenção de uma postura linha-dura que sufocou as aspirações por políticas mais abertas.

A hostilidade de Khamenei em relação aos Estados Unidos permaneceu inabalável durante seu mandato, intensificando-se após a retirada dos EUA do acordo nuclear em 2018 e a reimposição de sanções. Ele frequentemente criticava o que chamava de “líderes rudes e arrogantes da América”, mantendo a retórica anti-americana que era central para a Revolução Islâmica de 1979.

Um Legado de Confronto e Isolamento

Durante seu governo, Khamenei negou veementemente que o programa nuclear iraniano tivesse fins bélicos, apesar das alegações ocidentais. Ele apoiou cautelosamente o acordo nuclear de 2015, que visava limitar o programa em troca de alívio das sanções, mas sua desconfiança em relação aos EUA persistiu. A retirada americana do acordo e a reimposição de sanções pelo governo Trump em 2018 reforçaram sua postura linha-dura.

Khamenei enfrentou ondas de protestos internos, incluindo as manifestações de 1999 e 2002, e a crise de legitimidade após a contestada eleição presidencial de 2009. Mais recentemente, em 2022, ele reprimiu violentamente os protestos desencadeados pela morte de Mahsa Amini, recorrendo à força letal e à execução de manifestantes.

Ascensão e Expansão da Influência Regional

Nascido em Mashhad em 1939, Khamenei seguiu uma carreira religiosa e política desde jovem, sendo preso várias vezes por suas atividades. Após a queda do Xá, ocupou diversos cargos, incluindo vice-ministro da defesa, e foi nomeado líder de oração em Teerã por Khomeini. Sua ascensão à presidência e, posteriormente, à liderança suprema, foi vista por alguns como uma surpresa, dadas as suas credenciais clericais e apelo popular inferiores aos de Khomeini.

Sob sua liderança, o Irã expandiu sua influência regional através de milícias xiitas no Iraque, Líbano e apoio ao regime de Bashar al-Assad na Síria. Esses aliados, conhecidos como “Eixo da Resistência”, foram fundamentais para o Irã em sua oposição ao poder americano e israelense no Oriente Médio. No entanto, em 2024, essa aliança começou a mostrar sinais de enfraquecimento com derrotas infligidas por Israel a grupos como Hezbollah e Hamas.

O confronto entre Irã e Israel escalou nos últimos anos, com assassinatos de cientistas nucleares iranianos e comandantes da Guarda Revolucionária, e culminou em abril de 2024 com o disparo de centenas de mísseis iranianos contra Israel, após um ataque à embaixada iraniana em Damasco. A resposta israelense e a posterior intervenção dos EUA em junho de 2025 transformaram o conflito latente em uma guerra aberta.

O legado de Khamenei deixa um Irã em um momento de incerteza, lidando com as consequências dos ataques de Israel e dos EUA, além de um crescente descontentamento interno, especialmente entre as gerações mais jovens, que anseiam por uma vida pacífica e normal, distanciada das políticas de confronto e do programa nuclear que, segundo eles, não se encaixam mais no mundo atual.

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