Ana Castela firma sua marca no universo sertanejo ao revisitar clássicos em novo projeto audiovisual
Ana Castela, fenômeno que emergiu em 2021 e explodiu em 2022 com o hit “Pipoco”, demonstra uma estratégia artística que vai além do agro pop. Enquanto consolida as bases desse novo subgênero sertanejo com álbuns como “Boiadeira Internacional” (2024) e “Let’s Go Rodeo” (2005), a artista sul-mato-grossense de 22 anos tem voltado seu olhar para as origens do gênero. O álbum ao vivo “Herança Boiadeira”, lançado em setembro de 2024 com um repertório vintage e participações de peso como Trio Parada Dura e Rionegro & Solimões, marcou o primeiro passo dessa jornada nostálgica.
A consolidação desse movimento em direção a um sertanejo mais tradicional se deu com o lançamento do álbum audiovisual “Herança Boiadeira – Rodeio”, apresentado na noite de quinta-feira, 26 de fevereiro. O projeto, gravado em 28 de agosto de 2025 durante a 70ª edição da Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, onde Ana Castela foi embaixadora, reforça a conexão da cantora com a essência do sertanejo, sem abrir mão de sua identidade visual pop country.
Nostalgia sertaneja e parcerias de peso marcam “Herança Boiadeira – Rodeio”
No novo trabalho, Ana Castela prova sua versatilidade ao interpretar modas de viola e tradições sertanejas. Sua voz grave e firme se destaca em duetos com nomes como Roberta Miranda, com quem revive o sucesso “Vá com Deus” (1987), e a dupla Lourenço & Lourival, em uma animada versão de “Franguinho na Panela” (lançada originalmente por Craveiro & Cravinho e popularizada por Lourenço & Lourival em 2002). A participação especial de seus avós na música “Hoje eu lembrei de você” adiciona um toque de emoção genuína ao álbum.
O projeto também traz participações que celebram diferentes vertentes do sertanejo. A dupla Zezé Di Camargo & Luciano une forças com Ana Castela em um medley de seus sucessos, incluindo “Você vai ver” (1993) e “No dia que eu saí de casa” (1991). Surpreendendo o público, Ana convida Sula Miranda, a “Rainha dos Caminhoneiros”, para interpretar “Rédias do possante” (1991). Mesmo em momentos como a interpretação de “Romaria” (1977) ao lado de Sérgio Reis, onde talvez faltasse um pouco mais de fervor, a emoção prevalece.
Ana Castela: Entre o presente do agro pop e o passado do sertanejo
Ao revisitar clássicos e convidar veteranos como Teodoro & Sampaio, Ana Castela demonstra respeito pela “herança boiadeira” e pelos pioneiros do gênero. A música inédita “Saudade é Mato”, incluída no repertório, reforça essa temática. A artista consegue a proeza de transitar com naturalidade entre o presente, representado pela estética visual pop country e o sucesso do agro pop, e o passado, honrando as raízes caipiras do sertanejo.
Dessa forma, Ana Castela não apenas se mantém relevante na cena musical atual, mas também constrói um legado que a projeta para o futuro da música sertaneja, garantindo seu lugar de destaque na história do gênero. A iniciativa de resgatar e reinterpretar clássicos demonstra uma maturidade artística que a diferencia, provando que é possível inovar sem esquecer as origens.



