Governo Lula desmente aumento de impostos em eletrônicos e classifica repercussões como “fake news”
Após o anúncio e posterior recuo na taxação de eletrônicos importados, o governo Lula publicou um vídeo em suas redes sociais negando o aumento de impostos. O vice-presidente Geraldo Alckmin, em uma peça direcionada à comunidade gamer, classificou as notícias e repercussões negativas como “fake news”, com o objetivo de “assustar as pessoas”. A medida inicial visava conter a entrada de produtos estrangeiros e proteger a indústria nacional.
O governo havia anunciado um aumento de até 7,2 pontos percentuais no imposto de importação para cerca de 1.250 produtos eletrônicos, incluindo celulares e outros itens de tecnologia. A intenção era, segundo comunicado, evitar o risco de “colapso” da indústria brasileira diante da crescente concorrência estrangeira. No entanto, a medida enfrentou forte repercussão negativa, inclusive de setores produtivos, que alertaram sobre o impacto em investimentos em um cenário de juros altos e desaceleração econômica.
Diante da pressão, o governo, através do Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex), decidiu zerar o imposto para os itens em questão. A Agência Brasil, agência de notícias do governo, noticiou a reversão, que agora é tratada pelo vice-presidente como desinformação. O vídeo de Alckmin utiliza recursos gráficos de jogos 2D em 8 bits, apelando à memória afetiva dos entusiastas de games.
Repercussão negativa e justificativas do governo
A divulgação do vídeo gerou críticas nas redes sociais. O vereador Rubinho Nunes (União Brasil) comentou em sua conta no X (antigo Twitter): “Monitoram o PIX. Taxam as Blusinhas. Taxam os Games e eletrônicos. Revogam e dizem que é Fake News”. A assessoria de comunicação de Alckmin afirmou que o vídeo “combate uma desinformação”, pois “não haverá aumento de impostos sobre aqueles produtos citados”, insistindo na mesma resposta mesmo quando questionada sobre o anúncio e o posterior recuo.
Em paralelo, o governo Lula publicou uma série de mensagens no X buscando sustentar a narrativa de que não houve recuo na taxação. As postagens classificaram notícias sobre o encarecimento de celulares, notebooks e outros eletrônicos como “imprecisas ou simplesmente falsas”. Segundo o governo, o Gecex da Camex reverteu os aumentos para GPU, placa-mãe de vídeo e processador, mas que isso “já estava previsto”, pois produtos sem fabricação nacional equivalente não poderiam ser taxados.
O governo argumentou que, com “três únicas exceções”, não houve reversão do aumento de alíquotas de importação sobre produtos eletrônicos. O que teria ocorrido, segundo a explicação oficial, foi a manutenção de uma isenção já existente e, em alguns casos, a concessão de isenção total para produtos que tinham isenção parcial, sem especificar quais seriam esses itens.



