Novela das Seis da TV Globo estende seu universo para além da tela com figurinos inspirados em reinos africanos e elementos de fábula.
A nova novela das seis da TV Globo, “A Nobreza do Amor”, que estreia nesta segunda-feira (16), promete transportar o público para um reino fictício repleto de simbolismos, realeza e uma profunda conexão com as tradições africanas. A produção se destaca pela riqueza de seu figurino, que busca construir a identidade visual dos personagens através de uma pesquisa minuciosa de diferentes culturas.
Com a possibilidade de atingir até 4 mil peças de vestuário, entre criações inéditas e adaptações, a novela se esforça para retratar com seriedade e respeito a herança cultural africana. O objetivo é oferecer ao público uma representação grandiosa e inédita na televisão brasileira, conforme declarado pela figurinista Marie Salles.
A pesquisa para a novela, que se estendeu por seis meses, contou com o apoio do consultor Maurício Camillo, especialista em história de reinos africanos. O foco recaiu sobre a região de Iorubalândia, englobando países como Benim, Togo e Nigéria, servindo de base para a concepção do reino de Batanga.
Inspirações Culturais e Símbolos de Poder no Figurino
A criação dos figurinos de “A Nobreza do Amor” é marcada por um mergulho profundo em culturas como a dos iorubás e ashanti. A figurinista Marie Salles explica que a intenção foi transpor a sabedoria contida nas estampas, bordados e símbolos africanos para a narrativa visual da novela. Cada peça busca refletir a personalidade e o status dos personagens.
Um exemplo notório é o figurino de Jendal, o primeiro-ministro de Batanga. Sua indumentária, descrita como “pesada” e ricamente bordada, com adornos como uma cobra na cabeça e abundância de ouro, foi concebida para projetar poder e autoridade. A própria equipe da novela desenvolveu estampas exclusivas, incorporando adinkras, símbolos da cultura ashanti que carregam significados filosóficos e valores tradicionais.
O Contraste entre Realeza e o Cotidiano no Brasil
Após um golpe de Estado em Batanga, a rainha Niara, interpretada por Erika Januza, e a princesa Alika buscam refúgio no Brasil, na cidade nordestina de Barro Preto. Mesmo ao deixarem para trás seus títulos reais e se tornarem “pessoas comuns”, a identidade delas é sutilmente preservada através das cores vibrantes de seus figurinos, em contraste com os tons mais frios dos habitantes locais.
Para gerenciar a complexidade desses dois universos, a equipe de figurino foi dividida em núcleos, permitindo uma imersão completa em cada ambiente. A busca por harmonia visual entre todos os personagens foi uma prioridade, evidenciando a importância de um quadro coeso e representativo.



