GPA e Raízen Lideram Nova Onda de Reestruturações Empresariais no Brasil, Aponta Especialista
Os recentes pedidos de recuperação extrajudicial do Grupo Pão de Açúcar (GPA) e da Raízen acendem um alerta no mercado financeiro brasileiro. Segundo o especialista em reestruturação de empresas, Max Mustrangi, esses movimentos podem ser o prenúncio de uma série de reestruturações em outras companhias de peso, como Braskem, Oncoclínicas e Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).
A recuperação extrajudicial, um mecanismo que permite às empresas renegociarem suas dívidas com credores fora do ambiente judicial, tem sido a ferramenta escolhida por grandes corporações para lidar com pressões financeiras. O impacto das altas taxas de juros e outros fatores macroeconômicos têm elevado o endividamento, forçando essas empresas a buscar soluções.
A análise de Mustrangi sugere que o cenário atual exige atenção redobrada dos investidores e do mercado em geral, pois as dificuldades de uma empresa podem se propagar, influenciando o desempenho de outras e a estabilidade de setores inteiros da economia brasileira. Conforme informações divulgadas pelo portal InfoMoney.
Grandes Empresas Buscam Alívio Financeiro com Recuperação Extrajudicial
O Grupo Pão de Açúcar (GPA) obteve um avanço significativo ao ter seu plano de recuperação extrajudicial aprovado pela 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A varejista enfrenta um endividamento de aproximadamente R$ 4,5 bilhões e busca, com essa medida, mitigar os efeitos da taxa Selic, atualmente em 15% ao ano.
Já a Raízen protagoniza o que já é considerado o maior caso de recuperação extrajudicial do país, com obrigações estimadas em R$ 65,1 bilhões, segundo o Observatório Brasileiro de Recuperação Judicial (Obre). Mustrangi ressalta que, enquanto o GPA contempla cerca de 80% de suas obrigações em seu plano, a Raízen cobre apenas 50% da dívida. A complexidade reside na necessidade de aprovação de um número significativo de debenturistas e outros detentores de títulos, que já enfrentaram perdas com a companhia e demonstram resistência.
Braskem, Oncoclínicas e CSN Sob Pressão e em Processos de Reestruturação
O cenário de instabilidade também atinge outras gigantes. A Braskem, em meio a uma crise histórica, viu suas ações caírem 6,97% em um pregão recente, fechando a R$ 11,35. A petroquímica, no entanto, recebeu aprovação do Cade para que a Novonor transfira seus direitos de controle ao fundo IG4.
A Oncoclínicas, por sua vez, enfrenta uma crise de imagem associada ao Banco Master, um de seus sócios desde 2024, e a aplicações em CDBs da instituição. A dívida da empresa é estimada em R$ 4,8 bilhões. Em resposta, a Oncoclínicas informou que negocia a extensão dos prazos com seus credores, classificando outras informações como especulativas.
A situação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) é ainda mais delicada, com uma dívida líquida que se aproxima de R$ 40 bilhões. O aumento do dólar durante a pandemia foi um dos principais fatores para o crescimento expressivo de suas obrigações. As ações da CSN, que já chegaram a R$ 50, hoje são negociadas a R$ 5,72.
A reportagem buscou contato com Braskem e CSN para manifestação, com espaço aberto para resposta.



