Instabilidade Global no Preço do Petróleo Impulsiona Setor Agropecuário a Pedir Aumento da Mistura de Biodiesel no Diesel
A disparada dos preços internacionais do petróleo, acentuada pela escalada de tensões geopolíticas no Oriente Médio, como a guerra no Irã, tem levado o setor agropecuário brasileiro a buscar medidas de mitigação de riscos. Entidades representativas do agronegócio e da agroindústria divulgaram uma carta aberta ao governo federal solicitando a elevação imediata do percentual de mistura obrigatória de biodiesel no diesel, dos atuais 15% (B15) para 17% (B17).
O documento, entregue à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e encaminhado aos ministérios de Minas e Energia e da Casa Civil, além da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), argumenta que o aumento da mistura é uma resposta estratégica para fortalecer a segurança energética do país e reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados.
A principal justificativa apresentada pelos signatários reside na volatilidade do mercado de petróleo, impactado diretamente por eventos como o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo e gás natural comercializados globalmente. O preço do barril Brent, referência internacional, já acumula alta superior a 30% desde o início das ofensivas conjuntas contra o Irã, elevando-se de aproximadamente US$ 72,48 para cerca de US$ 100.
Biodiesel como Solução Estratégica e Econômica
A carta, assinada por 43 entidades, ressalta que a ampliação da mistura para B17 representa uma solução ágil, segura e alinhada aos interesses nacionais. A medida visa reduzir a “crônica dependência brasileira da importação de diesel”, acelerar a transição energética e fortalecer as cadeias produtivas internas, aproveitando o potencial do agronegócio brasileiro na produção de biocombustíveis.
O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, destacou a capacidade do setor em oferecer uma alternativa energética. “Hoje o Brasil ainda importa cerca de 30% do diesel que consome. Em um cenário de instabilidade internacional, isso representa uma vulnerabilidade para a nossa economia. O agro tem capacidade de oferecer parte dessa solução, transformando biomassa em combustível e fortalecendo nossa segurança energética”, afirmou.
Cronograma da Lei Combustível do Futuro e a Proposta do Setor
A proposta do setor agropecuário antecipa o cronograma previsto na Lei Combustível do Futuro, aprovada em 2024. Pela lei, o percentual de biodiesel misturado ao diesel deveria subir 1 ponto percentual anualmente a partir de 2025, atingindo 20% (B20) somente em 2030. A solicitação atual para B17 em 2025 aceleraria esse processo, buscando mitigar os efeitos da crise de abastecimento e instabilidade de preços dos combustíveis fósseis.
A medida se alinha aos esforços de diversificação da matriz energética brasileira e de estímulo à economia verde, promovendo o desenvolvimento sustentável e a resiliência do país frente a choques externos. A antecipação do aumento da mistura de biodiesel é vista como um passo crucial para garantir a estabilidade e a previsibilidade no fornecimento de combustíveis no mercado interno.



