Petrobras reduz fornecimento de diesel em até 30% em abril; governo anuncia isenções tributárias

Petrobras reduz fornecimento de diesel em abril e debate sobre aumento do biodiesel ganha força após tensões no Estreito de Ormuz.

Corte no fornecimento de diesel pela Petrobras em abril gera preocupação e debate sobre alternativas energéticas no Brasil.

A Petrobras anunciou um corte de até 30% no fornecimento de óleo diesel para distribuidoras em abril, segundo Carlos Eduardo Hammerschmidt, vice-presidente do Grupo Potencial e diretor da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio). A redução média nacional atinge 23%, com destaque para Araucária (PR), o segundo maior polo de combustíveis do país, que terá um corte de 30%.

A medida é justificada pelo executivo como uma resposta ao choque internacional de oferta de petróleo, intensificado pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, que levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde transita 20% do petróleo e gás natural mundial. Essa situação expõe a vulnerabilidade do Brasil, que, apesar de autossuficiente em petróleo, ainda importa cerca de um quarto do seu consumo anual de diesel por falta de capacidade de refino.

Em contrapartida, Hammerschmidt sugere o aumento da mistura de biodiesel na composição do diesel vendido ao consumidor final como uma estratégia para mitigar riscos de desabastecimento e volatilidade de preços. O setor de biodiesel possui capacidade ociosa de aproximadamente 45%, com potencial para suprir parte da demanda.

Aumento da mistura de biodiesel e resposta do governo

A proposta de elevar a mistura de biodiesel de 15% (B15) para 20% (B20) poderia injetar cerca de 400 milhões de litros de combustível no mercado mensalmente. Essa discussão ganhou força com uma carta de 43 entidades do agronegócio e agroindústria defendendo a elevação imediata para 17% (B17), antecipando o cronograma previsto pela Lei Combustível do Futuro para 2027.

Em resposta à volatilidade do mercado, o governo anunciou isenção de PIS e Cofins sobre a importação e produção de diesel, representando uma renúncia fiscal de R$ 0,32 por litro. Somada a uma subvenção de R$ 0,32 por litro, o alívio totaliza R$ 0,64 por litro, buscando reduzir a pressão de custos na cadeia de combustíveis.

Apesar das medidas fiscais, Hammerschmidt ressalta que elas visam conter o preço ao consumidor, mas não garantem a oferta de produto no mercado. Enquanto isso, produtores rurais relatam dificuldades pontuais de abastecimento, embora a ANP afirme que os estoques regionais são suficientes.

Petrobras nega alterações nas entregas e reafirma compromisso com estabilidade

A Petrobras, por sua vez, declarou que não houve alteração nas entregas de diesel de suas refinarias até o momento. A estatal reafirmou seu compromisso em mitigar os efeitos de tensões geopolíticas no mercado internacional de energia, utilizando sua estratégia comercial para promover estabilidade de preços, ao mesmo tempo em que resguarda sua rentabilidade.

A companhia ressaltou que, por questões comerciais, não antecipa decisões sobre manutenção ou reajustes de preços. A defasagem de 41% no preço do diesel vendido no Brasil em relação ao mercado internacional, segundo a Abicom, indicava um potencial de aumento de R$ 1,31 por litro, pressão que as medidas governamentais buscam neutralizar.

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