Pessimismo com a economia cresce entre brasileiros, diz Datafolha
Uma nova rodada da pesquisa Datafolha aponta que 46% dos brasileiros perceberam uma piora na economia nos últimos meses. O índice representa um aumento em relação ao final do ano passado, quando 41% demonstravam pessimismo com a situação financeira, inflação e desemprego. Em contrapartida, o grupo que avalia uma melhora caiu de 29% para 24% no mesmo período. Os dados refletem um cenário de crescente preocupação com o futuro econômico do país.
A avaliação negativa da economia é mais acentuada entre o público evangélico, atingindo 57%, em contraste com 41% entre católicos. Eleitores que apoiam o senador Flávio Bolsonaro à presidência demonstram um pessimismo ainda maior, com 77%, enquanto apenas 14% dos eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva compartilham dessa visão. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas em 137 municípios entre 3 e 5 de março, com margem de erro de dois pontos percentuais.
O pessimismo também se estende às expectativas para os próximos meses, com 35% dos entrevistados acreditando em uma piora econômica, um aumento considerável em relação aos 21% registrados em dezembro. Apenas 30% esperam uma melhora, número inferior aos 46% de dezembro. O otimismo, embora menor, é mais presente entre pessoas de menor renda e moradores do Nordeste. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-03715/2026.
Avaliação do Governo Lula e Situação Financeira Pessoal
No que tange à avaliação do governo federal, a percepção positiva de Luiz Inácio Lula da Silva permaneceu estável em 32% entre dezembro de 2025 e março de 2026. Contudo, a avaliação negativa subiu de 37% para 40%, variação dentro da margem de erro da pesquisa. Paralelamente, a percepção sobre a situação financeira pessoal piorou: 33% afirmam que sua condição econômica decaiu nos últimos meses, ante 26% em dezembro. O número de brasileiros que relatam melhora financeira caiu de 36% para 30%.
Preocupação com Desemprego e Inflação em Alta
A preocupação com o desemprego também se intensificou no país. Cerca de 48% dos entrevistados acreditam que o número de pessoas sem trabalho aumentará nos próximos meses, um índice superior aos 42% do levantamento anterior. Apenas 21% preveem uma queda no desemprego. Esses números contrastam com dados recentes do IBGE, que indicam uma taxa de desemprego de 5,4% no trimestre encerrado em janeiro de 2026, um dos menores patamares históricos.
A inflação é outro fator de apreensão, com 61% dos entrevistados esperando que os preços continuem a subir nos próximos meses. Somente 11% preveem uma queda, e 23% acreditam que o indicador permanecerá estável. Essa percepção impacta diretamente a expectativa sobre o poder de compra, com 39% dos brasileiros temendo uma diminuição, enquanto 32% esperam um aumento nos salários nos próximos meses.



