Ataque ao Irã eleva cotações do petróleo e acende alerta para inflação global
A recente ofensiva militar contra o Irã, liderada por Estados Unidos e Israel, acirra os temores de uma escalada nos preços do petróleo. O país, que detém cerca de 10% das reservas mundiais de petróleo bruto, tem um papel crucial na oferta global, com uma produção diária de aproximadamente 3,3 milhões de barris.
A instabilidade gerada pelo ataque pode ter repercussões significativas nos mercados internacionais. Analistas alertam que o preço do barril de petróleo Brent, referência europeia, pode saltar para US$ 100, um aumento expressivo em relação aos US$ 72,48 registrados no fechamento da sexta-feira anterior. Essa projeção se baseia na possibilidade de uma redução na oferta global caso a capacidade de produção iraniana seja afetada.
Além do impacto direto na produção, a rota estratégica do Estreito de Ormuz, por onde transita 20% do petróleo bruto mundial, torna a situação ainda mais delicada. Uma eventual retaliação iraniana, como o bloqueio dessa via marítima, poderia agravar a crise e pressionar ainda mais os preços, conforme apontam especialistas.
Impacto na economia global e risco de inflação
A indústria petrolífera iraniana, apesar das sanções, consolidou sua posição como um player relevante, respondendo por cerca de 4,5% da produção global. A proximidade do Irã com outras regiões ricas em hidrocarbonetos no Oriente Médio, onde se concentra quase metade das reservas mundiais, eleva a preocupação com a estabilidade regional e seus reflexos econômicos.
Um cenário de petróleo a US$ 100 o barril não é inédito e já foi observado em períodos de alta tensão geopolítica, como em 2022, com a guerra na Ucrânia, e em outros momentos de conflitos no Oriente Médio. A alta nos preços do petróleo tem um efeito cascata direto na inflação, podendo forçar bancos centrais a reverem suas políticas monetárias e optarem por aumentos nas taxas de juros, em vez de cortes.
O professor de Economia Juan Carlos Martínez Lázaro, da IE University, alerta para os chamados “efeitos de segunda ordem”, que incluem o aumento nos preços da gasolina e dos custos logísticos, que podem se tornar permanentes mesmo que o preço do petróleo bruto se estabilize posteriormente. A sessão de negociação desta segunda-feira será crucial para avaliar a reação dos mercados às novas tensões, um cenário que historicamente favorece o ouro como ativo de refúgio.



